Política, Pesquisa, Literatura e Afins


POLÍTICA E PESQUISA 162

 

POLÍTICA EXTERNA DE BUSH

O recente episódio da Geórgia, aliada dos Estados Unidos no Cáucaso, que invadiu a região separatista da Ossétia do Sul, com a expectativa de que os Estados Unidos e a Europa dariam cobertura a essa agressão, enquanto o mundo estaria ainda ouvindo o eco e vendo o brilho do último fogo de artifício da abertura dos jogos olímpicos de 2008, em Pequim, parece resumir o quão desastrosa foi a política externa dos Estados Unidos na era Bush filho. Dado que a Rússia reagiu imediatamente, invadindo com tanques o país, o presidente da Geórgia acordou de sua loucura e buscou desesperadamente um cessar-fogo. Descobriu que a Geórgia, afora discursos tentando acuar o Urso, não vale tanto quanto imaginou que valeria, e que a Europa e os Estados Unidos não iriam às últimas conseqüências por causa desse torrão de terra no remoto Cáucaso, ao alcance das garras do intempestivo urso.  Como foi possível que um presidente de um país invadisse uma região rebelde enquanto o mundo estava focado em outro evento de envergadura mundial, não fosse alguma certeza de que seria protegido pelos amigos e de que não haveria retaliação? Como Bush não alertou a esse presidente aliado de que caso fosse isso que ele viesse a fazer os riscos seriam por sua própria conta? Em suma, esse episódio talvez resuma o que foi a política externa do presidente Bush e o que deverá mudar no próximo governo seja ele democrata ou republicano.

 

 

REGISTROS DE RESULTADOS DE PESQUISA ELEITORAL

 

ITABUNA

A Sócio estatística realizou pesquisa em Itabuna, entre 10 e 12 de agosto de 2008, com 1100 eleitores. Margem de erro: 3%, ou seja, três pontos percentuais para mais e para menos do resultado encontrado.

 

Dentre os resultados, destacam-se: a administração Lula obteve 61,3% de avaliação positiva contra 11,7% de avaliação negativa. A administração Jacques Wagner obteve 32% de avaliação positiva contra 21,8% de avaliação negativa. Já a administração municipal, sob o comando de Fernando Gomes, apresentou 6,2% de avaliação positiva e 75,5% de avaliação negativa. Relembra-se que o conceito regular, em momentos decisivos, com a eleição, tende a assumir o sinal negativo. 

 

Eleitoralmente, na pesquisa espontânea, Pedro Eliodoro teria 0%, Capitão Azevedo 6,5%, Roberto Barbosa 2,4%, Capitão Fábio 11,9%, Adervan 0,6%, Juçara 22,9%, Geraldo Briglia 0,5%, Edson Dantas 2,7%, José Roberto, 0%. Os indecisos somaram 52,5%.

Na pesquisa estimulada, Pedro Eliodoro 0,2%, Capitão Azevedo 11,9%, Roberto Barbosa 3,4%, Capitão Fábio 18,4%, Adervan 1%, Juçara 29,7%, Geraldo Briglia 1,2%, Edson Dantas 3,8%, José Roberto 0,1%. Os indecisos somaram 22,4%. Os nulos e brancos somaram 7,9%.

Na pesquisa de rejeição, Pedro Eliodoro seria rejeitado por 13,7%, Capitão Azevedo por 23,9%, Roberto Barbosa por 17,6%, Capitão Fábio por 19,1%, Adervan por 10,7%, Juçara por 26,3%, Geraldo Briglia por 12,3%, Edson Dantas por 12,4% e José Roberto por 10,7%.



Escrito por Agenor Gasparetto às 09h08
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POLÍTICA E PESQUISA 161

 

AS VERDADES DE CADA LUGAR

Toda eleição é singular, ainda que aconteça em todos os municípios. Não há duas situações iguais. O que valeu na eleição anterior poderá não valer nessa e não valerá na próxima. Enfim, cada lugar tem suas verdades. Um símbolo, como uma estrela, não reluz da mesma forma em todos os lugares. Cada lugar adquire nuanças específicas.

 

DIVULGAÇÃO SISTEMÁTICA E DIVULGAÇÃO DE OPORTUNIDADE

Há divulgações de pesquisas eleitorais de duas ordens.

Há as divulgações sistemáticas de pesquisa, veiculadas por veículos de comunicação, como a cada mês ou a cada semana, dependendo do momento. Essas divulgações tendem a ter um efeito sobre a realidade e não dependem da posição ocupada por determinado candidato na disputa. Primam sobretudo como informação ao público, ainda que exerçam sobre esse alguma influência, induzindo o voto útil, por exemplo e até mesmo o voto ganhador, conhecido na expressão para não perder o voto, ou voto certo.

As outras são as divulgações de oportunidade, que atendem basicamente aos interesses de uma coligação ou de uma candidatura. Às vezes, são divulgações oportunistas, ou seja, resultam da captação favorável e da disposição de fazer isso chegar a todos, muitas vezes sem obedecer a nenhuma estratégia de campanha, a nenhum planejamento, satisfazendo tão somente ao desejo de mostrar quem é quem e tentar mergulhar a oposição no abismo, imaginando que a divulgação será boa para quem divulga e ruim, para o outro lado. Essas divulgações primam sobretudo como propaganda ainda que portadoras de alguma informação.

 

RESULTADOS ELEITORAIS E DIVULGAÇÃO PÚBLICA

A divulgação avulsa parece ser comandada pelo princípio de que o que é bom é para ser mostrado. Se for ruim, não há essa necessidade. Diante de resultados favoráveis, vi muitos olhos brilharem, sorrisos e demonstrações de contentamento e, porque não dizer, um ímpeto irresistível de tornar público. Afinal, “para que se faz pesquisa se não é para divulgar”, não raro comentam. O desejo de mostrar, motivado por diferentes razões, é imenso, quase incontrolável. No entanto, como regra, participo do ponto de vista que toda divulgação, que não obedeça a uma estratégia bem proposta e bem conduzida, passada a euforia dos primeiros momentos, revela-se o oposto do imaginado quando da intenção de divulgar.

Como regra, pouco agrega a quem divulga e pode favorecer a oposição, sobretudo quando o propósito não passa de uma inconfessada vontade de humilhar. Em primeiro lugar, ao se divulgar uma pesquisa eleitoral, apenas se está informando o que já está na realidade, o que está percebido, intuído. Não se agrega valor, apenas se confirma uma, digamos, percepção da realidade. Segundo, pelas regras da Justiça Eleitoral, os dados divulgados são públicos e podem ser acessados pela oposição, que, dado que o fato agora é público, precisa sair da inércia e tentar alguma superação. Não fosse a divulgação, é possível que deixasse o tempo passar, acreditando que o quadro seria favorável ou não tão desfavorável assim. E essa percepção do candidato deve-se ao fato de que o que chega até ele tem o viés da simpatia, do querer agradar e como esses sinais são predominantes, tende a passar a acreditar que a realidade é o que chega até ele. A pesquisa divulgada quebra, por assim dizer, o encanto e a oposição precisa reagir. O primeiro colocado passa a ser objeto de investidas e aquele que deverá ser batido. Aqui, também, o que parece ser, pode não ser o que aparenta. Mas cada caso é um caso.

Ceticismo à parte, obviamente, as divulgações, enquanto peças de marketing e propaganda, podem cumprir várias funções e até podem ser benéficas aos seus mentores, dependendo das circunstâncias, do momento. E não há ninguém melhor do que os profissionais do marketing para tomar semelhante decisão.

 

REGISTROS DE PESQUISAS ELEITORAIS

A Sócio Estatística encaminhou registros de pesquisas em vários municípios, como Ribeira do Pombal, Barra da Estiva, Ubatã, Itabuna entre outros. Alguns registros, feitos antes da pesquisa, não se consumam. Às vezes, em casos assim, a solução para esse fato passa pela busca de outro instituto. Ainda que resultados contraditórios revelem que pelo menos uma das duas pesquisas anda equivocada, para a democracia, à medida que induz ao questionamento, exige alguma reflexão, acaba desempenhando função positiva. Isto posto, proximamente, quando houver o sinal verde da Justiça Eleitoral, estarão também neste espaço alguns resultados eleitorais.

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 15h38
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Política e pesquisa 160

 

OMC e Livre Comércio no mundo

A Rodada de Doha, da OMC, terminou em fracasso. Perdeu a Organização Mundial do Comércio, melhor perdeu o princípio do livre comércio regulando as transações comerciais no mundo. O fracasso deveu-se às intransigências das partes. Os países desenvolvidos não puderam ou não quiseram abrir mão da proteção, via subsídios, de seus setores menos competitivos. Os países emergentes, por sua vez, também tentaram valorizar e se valorizar, não fazendo as concessões desejadas pelos desenvolvidos. Como resultante e como reflexo da crise que vem se agravando, apesar dos altos e baixos, o mundo ficará mais protecionista, menos globalizado, mais xenófobo. A Europa, berço das revoluções burguesas no limiar dos Séculos 18 e 19, na França, e da primeira revolução social, no início do Século 20, neste início de Século 21 inverte os sinais, num movimento de fechamento. Não aos imigrantes, muitos descendentes de seus emigrantes dos últimos séculos, sobretudo nos dois últimos. Bem, o mundo gira. Continua girando. 

 

A escolha de um candidato

Já afirmei que eleições municipais tendem a ser definidas por fatores locais.  Mais, o eleitor escolhe comparando. O governo em curso tende a funcionar como um filtro no seguinte sentido: o eleitor escolhe um candidato vendo as alternativas à disposição através da administração em curso. Se essa for avaliada positivamente, a escolha tende a se orientar na sua perspectiva; se for avaliada negativamente, tende a se orientar para uma candidatura que melhor capitalizar o sentimento de oposição. Obviamente, ainda que essa seja a regra, já observei avaliações com 60, 70 e até 90% de avaliação positiva (exclusivamente conceitos ótimo e bom) e não fazer sucessor. Quando isso aconteceu, a oposição estava personificada num ex-prefeito bem avaliado. 

 

Voto útil

O voto útil é, de alguma forma, a realização da parábola bíblica dos talentos: a quem tem muito, mais se lhe dará; o que tem pouco, perderá o pouco que acha que tem. É um mecanismo cruel para os que não polarizarem uma disputa. Conseguir um lugar na polarização, já que eleições tendem a polarização, pode fazer muita diferença. Não conseguir é correr sério risco de ser sacrificado no altar do pragmatismo do eleitor, que se realiza no voto útil e, em contextos em que o letramento democrático ou eleitoral é precário, também pode se realizar no voto ganhador, na comum expressão “para não perder o voto”.  Aqui, voto certo, voto bem dado é aquele em que o “sujeito” acerta quem se sairá vencedor nas urnas.

 

Política e vinho

A matemática política, manifesta nas alianças, pode converter virtuais vencedores em perdedores. Há junções que subtraem, derrubam, assim como há outras que multiplicam. Não conseguir interpretar as sinergias positivas e negativas de uma aliança, sempre complexas, tanto pode atalhar para o pódio como pode por tudo a perder. A propósito, misturar dois vinhos (um novo e um velho, ou um bom e outro azedado) resulta necessariamente num bom ou melhor vinho? 

 

O problema do deus Mercado

Dias recuados expus uma definição de mercado. Hoje, exporei seu pecado capital. Onde não há dinheiro, não há mercado.  E as pessoas precisam viver e sobreviver. E aí entra o Estado e a Sociedade com suas múltiplas estratégias e mecanismos.

 

Política em Itabuna

A democracia eleitoral apresenta situações que lembram o reino animal. São as manifestações antes do confronto aberto. Imagine dois galos de briga. Antes do engalfinhamento, tentam intimar o oponente das mais diversas formas, ostentando seus recursos e poderes. Na campanha eleitoral são muitas essas situações. Dentre elas, destacam-se as carreatas, passeatas e outras demonstrações de força (ou de fraqueza). Uma ação bem-sucedida (aparentemente) exige uma contra com a obrigação de superá-la. E enquanto ela não acontecer, a ansiedade, a tensão, tende a subir muito e a tirar o sono. Em Itabuna, até o momento, duas foram as ações mais ousadas. A primeira, uma carreata peso pesado, focada em caminhões e maquinaria, como tratores, retroescavadeiras etc. Passou pelo centro e percorreu bairros. A segunda, bastante ousada pelos riscos envolvidos, foi a passeata da candidata Juçara na Avenida Cinqüentenário, palco principal da vida política em Itabuna, sábado, dia 26 de julho, dois dias antes do aniversário de Itabuna. Por sinal, seguramente o mais franciscano dos últimos 25 anos da cidade.



Escrito por Agenor Gasparetto às 10h43
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Política, Pesquisa e Literatura - 159 

 

Nesta inserção, em mais um novo final de semana, reproduzo texto do poeta e ensaísta Gustavo Felicíssimo sobre a obra Os becos do homem, do escritor Jorge de Souza Araujo. Obra reeditada pela Via Litterarum. Boa leitura.

 

OS BECOS DE JORGE ARAÚJO

                                  Por Gustavo Felicíssimo - www.sopadepoesia.zip.net

 

A arte, como profetizou Antonin Artaud, “não é a reflexão da vida, mas a vida é a reflexão de um princípio transcendente com o qual a arte nos volta a por em contato”.

Em alguns poetas, o espírito rebelde os identifica sempre com as forças libertárias, não canônicas, e estão em profunda sintonia com o que nos disse Artaud, como um Maiakovski, por exemplo. E esta força poderosa, como um turbilhão de energias, assolará eternamente a opressão onde quer que ela esteja. Dessa energia é composto o livro Os Becos do Homem, de Jorge Araújo, “uma experiência de poesia existencialista, de discussão do humano numa situação de confronto na sociedade contemporânea”, afirma o autor.

Jorge Araújo (1947) é baiano de Baixa Grande e Ilheense por adoção. Mestre e Doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ é ensaísta premiado diversas vezes. Os Becos do Homem e Auto do Descobrimento: o romanceiro de vagas descobertas (1997) foram adotados nos vestibulares da UESC e UESB, respectivamente. Jorge publicou muitos outros livros, entre eles Profecias morenas: discurso do eu e da pátria em Antônio Vieira (1999), Essa esquina e dilacerada fauna: contos (2002), Pegadas na areia: a obra de Anchieta em suas relações (2003), Dionísio & Cia. Na moqueca de dendê: desejo, revolução e prazer na obra de Jorge Amado (2003), Letra, leitor, leituras: reflexões (2006) e Floração de Imaginários: O romance baiano no século 20 (2008).

Em Os Becos do Homem, seu livro de estréia na poesia, Jorge Araújo transita pelas redondilhas, pelo haicai, pelo verso livre e pela metapoesia.  Esse livro foi gestado durante todo um período de ditadura no Brasil (desde o início dos anos 1970) e publicado em 1982, onde o poeta nos oferece uma poesia densa, reflexiva, engajada, “pois se funda em duas direções políticas, a da inutilidade de certa ordem e a da incapacidade dos homens dessa ordem”, como afirma Antônio Houaiss no prefácio do livro.

Jorge Araújo lapidou seu estilo lendo Ferreira Gullar, Drummond, Bandeira, Jorge de Lima, Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e por isso possui um dos instrumentos essenciais para o poeta na modernidade: dizer densamente aquilo que pretende trafegando pelo indizível, mas sabendo sempre o que dizer, como no poema Acalanto: (...) Os sentimentos do homem/ os seres do homem/ os pesares do homem/ lançaram-se no abismo/ do consumo das coisas/ fora de sua alma// O que o homem hoje diz/ não corresponde ao eco/ de sua destinação// (...) Só uma eiva salva o homem hoje/ da condenação de si a si mesmo/ porque Herodes de seu menino/ avatar de sua história// Ao homem só resta reencontrar-se/ nas retinas do mundo.

Fulgurante, seu verso é valioso, quase inesgotável, e convida o leitor a voltar inúmeras vezes, pois é feita de inquietação a sua poesia; poesia que consegue estabelecer uma ligação orgânica de suas vivências e crenças pessoais com os anseios coletivos de grande complexidade. Por isso não se pode pensá-la como destinada a ser lida apenas em silêncio. Os poemas de Os Becos do Homem foram feitos para serem ditos em voz alta, nas praças, a plenos pulmões, para que todos possam conhecer uma obra que vai fundo no sentimento humano, pois como diz José Maurício Gomes de Almeida num artigo publicado no jornal O GLOBO, em Outubro de 1982, a poesia de Jorge Araújo “assume integralmente esta marca suja da vida”. Acompanhemos o poema Presságio: Tempo haverá em que o medo/ será artigo de quinta categoria/ nas prateleiras do esquecimento// Então nos despediremos/ da exatamência deste vil/ relógio do tempo/ a que nos vendemos hoje// e cruzaremos fartos de coragens/ a fronteira doida do imenso vale/ de nossa solidão/ no exercício enfim da liberdade. O poema retrata a ânsia do autor à espera de um tempo em que os grilhões da ditadura seriam quebrados, pois o Jorge Araújo socialista e humanista não tinha, naquele tempo, grandes motivos para se animar com os rumos da abertura política no país, pois quase todos os fatos corroboravam para a crença de que muita água ainda passaria sob aquela ponte antes da tão almejada democracia. Essa veio a acontecer em Janeiro de 1985 com a eleição de Tancredo Neves, quase três anos depois de a obra vir a público.

Era um tempo de ânsia e de expectativa retratado no poema Leitura de Jornal: Inquieto-me hoje/ assim como ontem/ e amanhã de igual forma/ por essa multidão de sombras nos assuntos/ dos jornais/ essa procissão de sonhos nos assuntos/ dos jornais/ sem pouso nem porto certo// E se me arruíno e me intimido/ e se me dou violenta surra moral/ devo estourar os miolos/ jogar-me da ponte sobre o mar/ antes de virar a folha/ dos assuntos dos jornais?// De mal a mal/ na última página do primeiro caderno/ dos assuntos dos jornais/ desta terça-feira dia tal do ano tal/ encontro algumas alternativas (enfim!)/ o flamengo tem tudo para sagrar-se/ campeão das nossas sempiternas esperanças.

Lá se vão 23 anos do fim da ditadura e Os Becos do Homem não perde o frescor, pois se durante o tempo em que tal obra foi escrita, o poeta tinha, além das questões existencialistas, um inimigo em particular, declarado, hoje ele está em toda parte, porém oculto; domina o capital, os grandes conglomerados empresariais e a informação, manipulando-a de acordo com as suas conveniências.

Mas o poeta não é apenas um escritor engajado, ele pensa a própria poesia a partir dos instrumentos que possui e assim questiona a sua condição ontológica em um espaço que privilegia cada vez mais o valor utilitário das coisas. Por isso escolhemos o metapoema Querido Lavoisier para rematar com chave de ouro o presente ensaio: Já em poesia/ nada se transforma/ tudo se cria// o nada transforma/ o tudo em cria// na forma do poema/ tudo há e nada havia// (no sobre/ tudo se lia/ no sabre nada se via)// mas transformar a poesia/ - é tudo e nada, sabia?// Poesia de nada servia?/ Poesia em tudo, seria?// Formas de tudo sorvia/ Transe do nada sumia// - Lavoisier, sem folia/ a poesia, noite e dia/ seduz a melancolia.



Escrito por Agenor Gasparetto às 19h37
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Política e pesquisa 158

 

Definição de mercado

"Se há uma boca e algum dinheiro com ela, há um mercado",  Tsai Eng-meng, empresário de Twain, referindo aos 1,3 bilhão de chineses e a disposição do mundo inteiro fazer negócios com a China. (Der Spiegel, 26/07/2008, no artigo Um nova era pacífica: Pequim e Taiwan experimentam reaproximação”, de Sandra Schulz, reproduzido pelo UOL).

 

Política e religião

Política e religião são dimensões historicamente muito próximas. Em algumas épocas e em algumas sociedades, ainda hoje estão estreitamente ligadas, literalmente. No país, a proclamação da República separou, em 1889, Estado e Religião. O Século 20 foi, seguramente, o século da história da Humanidade menos religioso ou mais laico, foi um século de duas grandes guerras e a maior matança da história não apenas de guerreiros ou militares, mas de civis. Foi nesse século que as guerras passaram a destruir cidades e infra-estruturas e passaram a matar mulheres, crianças e quem quer que tivesse a má sorte de estar no alvo de uma bomba lançada por uma avião ou na mira de um disparo qualquer. Há quem diga que nesse século a ideologia, especialmente a polarização comunismo versus capitalismo, se configurou quase que como uma nova religião, em que Estado e Mercado foram elencados ao primeiro plano do altar, no novo culto. Contudo, esse preâmbulo está posto aqui para ressaltar, pelo contraste, o que segue: político e pastor, pelo domínio da palavra e pelo objetivo de persuadir e cativar, são sujeitos muito próximos. (Isso lembra frase de um amigo: “perigoso é quem diz a palavra certa na hora certa”). Se, você que me acompanha neste espaço, prestar atenção aos discursos proferidos por postulantes a prefeito em nossas cidades perceberá essa proximidade. Seguramente, após as eleições, alguns políticos poderiam ocupar facilmente uma tribuna religiosa, caso não sejam ungidos pelas urnas. Dado que padres e pastores estão mais dispostos a ocupar posições no mundo da política, o caminho inverso também parece legítimo. A campanha poderia ser tomada como uma preparação. A ideologia messiânica e salvacionista estará bem trabalhada na mente e nos corações.

 

Moto e liberdade

Moto e liberdade são realidades associadas pela mídia e fazem a cabeça de muitos jovens há várias gerações. Trágica e tristemente, a realidade parece agregar uma nova palavra a essas duas: Além. A divulgação de estatísticas, seguramente, revelaria que a moto é a via em que muitos jovens atalham para o Além, encerrando o sonho de liberdade, abandonando a moto no asfalto duro e áspero.

 

Lei seca no trânsito e atendimento via telefone

Necessária, precisa ser internalizada, para valer. Por que demorou tanto? Outra regulamentação que demorou é a do atendimento, muita música, repetição a exaustão dos mesmos dados, multiplicação de atendentes até que no final se sobreviver, a ligação cai e recomeça a odisséia. Até que enfim.

Escrito por Agenor Gasparetto às 12h20
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POLÍTICA E PESQUISA 157 a

 

Em inserção anterior reproduzi texto Os anjos da política, do economista chileno, assessor do ex-presidente Salvador Alliende, de Carlos Matus. Hoje, seguirá documento de outubro de 2000 do papa João Paulo II, transformando Thomas Morus como o santo protetor dos políticos. Na falta de referencial ético para o exercício da arte e da ciência política eis uma sugestão.

 

O SANTO PROTETOR POLÍTICOS

 

CARTA APOSTÓLICA SOB FORMA DE MOTU PROPRIO PARA A PROCLAMAÇÃO DE S. TOMÁS MORO PATRONO DOS GOVERNANTES E DOS POLÍTICOS

 

                              JOÃO PAULO PP. II PARA PERPÉTUA MEMÓRIA.

  

  1. Da vida e martírio de S. Tomás Moro emana uma mensagem que atravessa os séculos e fala aos homens de todos os tempos da dignidade inalienável da consciência, na qual, como recorda o Concílio Vaticano II, reside «o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser» (Gaudium et spes, 16). Quando o homem e a mulher prestam ouvidos ao apelo da verdade, a consciência guia, com segurança, os seus atos para o bem. Precisamente por causa do testemunho que S. Tomás Moro deu, até ao derramamento do sangue, do primado da verdade sobre o poder, é que ele é venerado como exemplo imperecível de coerência moral. Mesmo fora da Igreja, sobretudo entre os que são   chamados a guiar os destinos dos povos, a sua figura é vista como fonte de inspiração para uma política que visa como seu fim supremo o serviço da pessoa humana.

 

  Recentemente, alguns Chefes de Estado e de Governo, numerosos dirigentes políticos, várias Conferências Episcopais e Bispos individualmente dirigiram-me petições a favor da proclamação de S. Tomás Moro como Patrono dos Governantes e dos Políticos. A instância goza da assinatura de personalidades de variada proveniência política, cultural e religiosa, fato esse que testemunha o vivo e generalizado interesse pelo pensamento e comportamento deste insigne Homem de governo.

 

  2. Tomás Moro viveu uma carreira política extraordinária no seu País. Tendo nascido em Londres no ano 1478 de uma respeitável família, foi colocado, desde jovem, ao serviço do Arcebispo de Cantuária, João Morton, Chanceler do Reino. Continuou depois, em Oxford e Londres, os seus  estudos de Direito, mas interessando-se também pelos vastos horizontes da cultura, da teologia e  da literatura clássica. Dominava perfeitamente o grego e criou relações de intercâmbio e amizade com notáveis protagonistas da cultura do Renascimento, como Erasmo de Roterdã.

 

  A sua sensibilidade religiosa levou-o a procurar a virtude através duma assídua prática ascética: cultivou relações de amizade com os franciscanos conventuais de Greenwich e demorou-se algum tempo na cartuxa de Londres, que são dois dos focos principais de fervor religioso do Reino. Sentindo a vocação para o matrimônio, a vida familiar e o empenho laical, casou-se em 1505 com Joana Colt, da qual teve quatro filhos. Tendo esta falecido em 1511, Tomás desposou em segundas núpcias Alice Middleton, já viúva com uma filha. Ao longo de toda a sua vida, foi um marido e pai afetuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos. A sua casa acolhia genros, noras e netos, e permanecia aberta a muitos jovens amigos que andavam à procura da verdade ou da própria vocação. Além disso, na vida de família dava-se largo espaço à oração comum e à lectio divina, e também a sadias formas de recreação doméstica.   Diariamente, Tomás participava na Missa na igreja paroquial, mas as austeras penitências que  abraçava eram conhecidas apenas dos seus familiares mais íntimos.

Escrito por Agenor Gasparetto às 17h40
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POLÍTICA E PESQUISA 157 b

 

  3. Em 1504, no reinado de Henrique VIII, foi eleito pela primeira vez para o Parlamento. O rei  renovou-lhe o mandato em 1510 e  constituiu-o ainda como representante da Coroa na Capital, abrindo-lhe uma carreira brilhante na Administração Pública. No decênio sucessivo, Henrique VIII várias vezes o enviou em missões diplomáticas e comerciais à Flandres e territórios da França atual. Constituído membro do Conselho da Coroa, juiz presidente dum tribunal importante, vice-tesoureiro e cavaleiro, tornou-se em 1523 porta-voz, ou seja presidente, da Câmara dos Comuns.

 

  Estimado por todos pela sua integridade moral indefectível, argúcia de pensamento, caráter aberto e divertido, erudição extraordinária, foi nomeado pelo rei em 1529, num momento de crise política e econômica do País, Chanceler do Reino. Tomás Moro, o primeiro leigo a ocupar este cargo, enfrentou um período extremamente difícil, procurando servir o rei e o País. Fiel aos seus princípios, empenhou-se por promover a justiça e conter a danosa influência de quem buscava os próprios interesses à custa dos mais débeis. Em 1532, não querendo dar o próprio apoio ao plano de Henrique VIII que desejava assumir o controle da Igreja na Inglaterra, pediu a própria demissão. Retirou-se da vida pública, resignando-se a sofrer, com a sua família, a pobreza e o abandono de muitos que, na prova, se revelaram falsos amigos.

 

  Constatando a firmeza irremovível com que ele recusava qualquer compromisso contra a própria consciência, o rei mandou prendê-lo, em 1534, na Torre de Londres, onde foi sujeito a várias formas de pressão psicológica. Mas Tomás Moro não se deixou vencer, recusando prestar o juramento que lhe fora pedido, porque comportaria a aceitação dum sistema político e eclesiástico que preparava o terreno para um despotismo incontrolável. Ao longo do processo que lhe moveram, pronunciou uma ardente apologia das suas convicções sobre a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pelo patrimônio jurídico inspirado aos valores cristãos, a liberdade da Igreja face ao Estado. Condenado pelo Tribunal, foi decapitado.

 

  Com o passar dos séculos, atenuou-se a discriminação contra a Igreja. Em 1850, foi reconstituída  a hierarquia católica na Inglaterra. Deste modo, tornou-se possível abrir as causas de canonização de numerosos mártires. Juntamente com outros 53 mártires, entre os quais o Bispo João Fisher, Tomas Moro foi beatificado pelo Papa Leão XIII em 1886 e canonizado, com o citado Bispo, por Pio XI no ano 1935, quando se completava o quarto centenário do seu martírio.

 

  4. Muitas são as razões em favor da proclamação de S. Tomás Moro como Patrono dos   Governantes e dos Políticos. Entre elas, conta-se a necessidade que o mundo político e   administrativo sente de modelos credíveis, que lhes mostrem o caminho da verdade num momento histórico em que se multiplicam árduos desafios e graves responsabilidades. Com efeito, existem, hoje, fenômenos econômicos intensamente inovadores que estão a modificar as estruturas sociais; além disso, as conquistas científicas no âmbito das biotecnologias tornam mais aguda a exigência de defender a vida humana em todas as suas expressões, enquanto as promessas duma nova sociedade, propostas com sucesso a uma opinião pública distraída, requerem com urgência decisões políticas claras a favor da família, dos jovens, dos anciãos e dos marginalizados.

 

  Em tal contexto, muito pode ajudar o exemplo de S. Tomás Moro que se distinguiu pela sua constante fidelidade à Autoridade e às instituições legítimas, porque pretendia servir nelas, não o  poder, mas o ideal supremo da justiça. A sua vida ensina-nos que o governo é, primariamente, um exercício de virtude. Forte e seguro nesta estrutura moral, o Estadista inglês pôs a sua atividade  pública ao serviço da pessoa, sobretudo dos débeis ou pobres; regulou as controvérsias sociais com fino sentido de equidade; tutelou a família e defendeu-a com valoroso empenho; promoveu a educação integral da juventude. O seu profundo desdém pelas honras e riquezas, a humildade serena e jovial, o sensato conhecimento da natureza humana e da futilidade do sucesso, a segurança de juízo radicada na fé conferiram-lhe aquela confiança e fortaleza interior que o sustentou nas  adversidades e frente à morte. A sua santidade refulgiu no martírio, mas foi preparada por uma vida inteira de trabalho, ao serviço de Deus e do próximo.

 

  Aludindo a tais exemplos de perfeita harmonia entre fé e obras, escrevi, na Exortação apostólica pós-sinodal Christifideles laici, que «a unidade de vida dos fiéis leigos é de enorme importância, pois eles têm que se santificar na vida profissional e social normal. Assim, para que possam corresponder à sua vocação, os fiéis leigos devem olhar para as atividades da vida quotidiana como uma ocasião de união com Deus e de cumprimento da sua vontade, e também como serviço  aos outros homens» (n.º 17).

 

  Esta harmonia do natural com o sobrenatural é talvez o elemento que melhor define a personalidade do grande Estadista inglês: viveu a sua intensa vida pública com humildade simples, caracterizada pelo proverbial «bom humor» que sempre manteve, mesmo na iminência da morte.

 

  Esta foi a meta a que o levou a sua paixão pela verdade. O homem não pode separar-se de Deus,  nem a política da moral: eis a luz que iluminou a sua consciência. Como disse uma vez, «o homem é  criatura de Deus, e por isso os direitos humanos têm a sua origem n'Ele, baseiam-se no desígnio da criação e entram no plano da Redenção. Poder-se-ia dizer, com uma expressão audaz, que os direitos do homem são também direitos de Deus» (Discurso, 07/04/1998).

 

  É precisamente na defesa dos direitos da consciência que brilha com luz mais intensa o exemplo de Tomás Moro. Pode-se dizer que viveu de modo singular o valor de uma consciência moral que é «testemunho do próprio Deus, cuja voz e juízo penetram no íntimo do homem até às raízes da sua alma» (Carta enc. Veritatis splendor, 58), embora, no âmbito da ação contra os hereges, tenha sofrido dos limites da cultura de então.

 

  O Concílio Ecumênico Vaticano II, na Constituição Gaudium et spes, observa que tem crescido, no mundo contemporâneo, «a consciência da eminente dignidade da pessoa humana, por ser superior a todas as coisas e os seus direitos e deveres serem universais e invioláveis» (n.º 26). A vida de S. Tomás Moro ilustra, com clareza, uma verdade fundamental da ética política. De fato, a defesa da liberdade da Igreja face a indevidas ingerências do Estado é simultaneamente uma defesa, em nome do primado da consciência, da liberdade da pessoa frente ao poder político. Está aqui o princípio basilar de qualquer ordem civil respeitadora da natureza do homem.

 

  5. Espero, portanto, que a elevação da exímia figura de S. Tomás Moro a Patrono dos   Governantes e dos Políticos possa contribuir para o bem da sociedade. Trata-se, aliás, de uma iniciativa em plena sintonia com o espírito do Grande Jubileu, que nos introduz no terceiro milênio cristão.

 

  Assim, depois de maturada reflexão e acolhendo de bom grado os pedidos que me foram feitos, constituo e declaro S. Tomás Moro Patrono celeste dos Governantes e dos Políticos, concedendo que lhe sejam tributadas todas as honras e privilégios litúrgicos que competem, segundo o direito, aos Patronos de categorias de pessoas.

 

  Bendito e glorificado seja Jesus Cristo, Redentor do homem, ontem, hoje e sempre.

 

  Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 31 de Outubro de 2000, vigésimo terceiro ano de Pontificado.

 

                            IOANNES PAULUS PP. II

Ver outros textos Papa e do Vaticano em www.vaticano.va



Escrito por Agenor Gasparetto às 17h40
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POLÍTICA E PESQUISA  156

 

REGISTRO ELEITORAL DE PESQUISA

 

Nova pesquisa da empresa Sócio Estatística Pesquisas teve registro na Justiça Eleitoral, Comarca de Itabuna, na 27ª Zona  Eleitoral, sob o número 002 de 2008

 

O objetivo principal desta pesquisa de opinião foi captar o quadro político-eleitoral em ITAPÉ. Foi realizada no dia 05 de julho de 2008. A amostra do tipo probabilística estratificada por idade, sexo e regiões da cidade. Corresponde a um erro amostral em torno de 5%.   Ao todo, foram consideradas válidas as respostas de 399 cidadãos.

 

Lembramos que a melhor análise é a que leva em consideração não o dado isolado, mas o conjunto dos resultados, isto porque o dado isolado pode não passar de um acidente de amostra, não expressão de uma tendência. Uma leitura apressada ou superficial pode levar a uma compreensão equivocada da realidade expressada pela pesquisa, induzindo a equívocos de ação prática.  Convém considerar, aqui, o caráter efêmero de toda pes­quisa de opinião. Isto significa dizer que qualquer resultado pode sofrer mudanças no curso do tempo. Quanto maior a velocidade e consistência dos acontecimentos e medidas, maior também será a probabilidade disso ocor­rer.  No caso de uma eleição, em quadros não estabilizados, a velocidade aumenta à medida em que nos aproximamos do dia da eleição. Já em quadros estabilizados, em condições de normalidade e somente nessas condições, muitos meses antes já está desenhado o quadro que as urnas irão revelar. Aqui, o crucial é discernir entre a natureza das situações.  Cabe ao sociólogo responsável pelas pesquisas apontar a natureza da situação.

 

Por fim, é importante não perder de vista que a pesquisa é uma ferramenta, um corte na realidade, em um determinado momento, ou como muitos preferem, é uma fotografia de um processo. A realidade continua; a pesquisa é um ponto fixo no tempo. O trabalho pode mudar a realidade e a opinião das pessoas. Isso significa que é preciso ter um senso crítico em relação ao papel e o lugar das pesquisas.

 

Em Itapé, as avaliação de Lula tende fortemente ao positivo: 82,4% de avaliação positiva contra 2,8% de avaliação negativa. O governo Wagner tem avaliação tendendo levemente ao positivo: 49,6% de avaliação positiva contra 8,8% de avaliação negativa. A avaliação do prefeito Pedrão tende fortemente ao positivo: 78,7% de avaliação positiva contra 6,3% de avaliação negativa.

 

 Na pesquisa espontânea, os indecisos somam 23,3%, Dr. Humberto Matos teria 12,5% e Pedrão 63,7%. Outro: 0,5%. Na pesquisa estimulada, os indecisos somam 18,5%, Dr. Humberto Matos teria 13,5% e Pedrão 66,2%. Os nulos somam 1,8%. A rejeição de Dr. Humberto Matos é de 49,6% e de  Pedrão, 11,5%.

 

Em Itapé, o quadro está bastante radicalizado, politicamente falando. Para 72,4% dos eleitores o voto está fechado, não mudará. Teoricamente, há ainda espaço para mudanças, mas reduzido.

 

Para finalizar, é importante lembrar que toda pesquisa é uma fotografia de um momento. O mundo das opiniões, em quadros não estabilizados, é como um céu de ventos e nuvens. Mudando o dia, poderá mudar o tempo. Um dia, céu de brigadeiro; noutro dia, chuvas e trovoadas. E a fotografia poderá mudar, já que a pesquisa também tem prazo de validade. Em quadros sociologicamente estáveis, urnas confirmam quadros detectados meses antes.  

 

Registro: pesquisas eleitorais e apostas

Apostar é uma prática antiga, não apenas em rinhas de galos, em lutas de Box, em corridas de cavalos e em outras atividades “esportivas”. Nesses vastos e profundos interiores, há também apostas em quem vencerá uma eleição, sobretudo para prefeito, mais próxima e mais pertinente ao mundo desses apostadores. Há, aqui, uma triste e cruel diferença: enquanto alguns apostam confiantes frações de seu patrimônio com base em seus olhos e em seus ouvidos, outros, calculadamente, também se assessoram em pesquisas eleitorais. Em suma, ingenuidade e ignorância fazem mal ao bolso e ao coração de alguns e fazem brilhar a menina dos olhos de outros. Trágica realidade. A Justiça Eleitoral poderia lançar luz sobre esse submundo ou será que ao fazer esse alerta apenas o fomentaria produzindo efeito oposto?

 

Sabedoria à la Sancho Pança

“Pavio curto, vida curta”. Será?

Mais vale um “Deus te acompanhe” que muitos “que o diabo te carregue”.

 

Registro: dialeto nordestino?

Circula na Rede, um rol de termos genuinamente nordestinos ou nem tanto. Eis alguns:

Miúdo: pixotinho

Pequeno: cotoco

Franzino: xoxo

Bom: massa

Ruim: peba

Rir dos outros: mangar

Bobo: leso

Medroso: frouxo

Torto: tronxo

A pessoa vai sair: vou chegar

Dar a volta: arrodeio

Longe: fim do mundo

Dinheiro: bufunfa

Sem dinheiro: liso

Chicote: peia

Entrar sem licença: emburacar

Tem sorte: cagado

Sujeira no olho: remela

Gente insistente: pegajosa

Agonia: aperreio, gastura

Gases: bufa

Catinga de suor: inhaca

Triste: borocoxô

E então: iapois

Correr atrás de alguém: dar carreira

Passear: bater perna

Fofoca: pipoco

Travessura: presepada

Gente complicada: nó cego

Distraído: aluado

Confusão: rolo

...



Escrito por Agenor Gasparetto às 18h49
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Política e Pesquisa 155

 

3ª edição do livro PROFESSOR E ALUNO MOTIVADO: ISTO FAZ A DIFERENÇA 

 

O livro PROFESSOR E ALUNO MOTIVADO: ISTO FAZ A DIFERENÇA chegou a 3ª edição atualizada e ampliada. Edição bilíngüe: português e espanhol. (Profesor y alumno motivado: esto hace la diferencia). Teve a participação especial do professor espanhol Dr. José Manuel Bautista Vallejo e prefácio de Celso Antunes. Sucesso das autoras Fabiana Kauark, Iana Muniz e Josanne Morais. O livro começa a encontrar leitores também na Espanha.

 

 

INGRID BETANCOURT

A ex-prisioneira das Farcs, Ingrid Betancourt, após seis anos e quatro meses sobrevivendo na selva da Amazônia colombiana, reaparece em grande estilo. Lúcida, perspicaz, superior, surpreendente. Prazer em ouvi-la. Caso retome carreira política, uma boa opção para os colombianos, seguramente.

 

GANHAR E GOVERNAR

Em geral, a maneira como se conquista o poder revela como será o governo. Há correspondência entre a forma de ganhar e a forma de gerir, depois.

 

VOTO: DOM

Quando o dom do voto é pouco, marketing, dinheiro, alianças e outros recursos podem compensar. Quando o dom é em alto grau, o eleitor parece arrebatado, encantado pelo candidato. Diz-nos Cervantes em seu Don Quixote de la Mancha a propósito de seu escudeiro Sancho Pança ser, subitamente, catapultado a governador de tão acalentada ilha: Infinitas graças dou ao céu, Sancho amigo, de que antes de eu ter topado alguma boa fortuna, te viesse a receber e encontrar a prosperidade; eu, que confiava na minha boa sorte para te pagar os teus serviços, vejo-me ainda muito atrasado, e tu, antes de tempo, e contra a lei das suposições razoáveis, vês os teus desejos premiados. Outros importunam, apoquentam, suplicam, madrugam, rogam, porfiam, e não alcançam o que pretendem, e chega outro, e, sem saber como, nem como não, acha-se com o cargo e ofício que muitos pretenderam: e aqui vem a propósito o dizer-se que há boa e má fortuna nas pretensões. Tu, que sem dúvida és um rústico, sem madrugares nem te tresnoitares, e sem fazeres diligência alguma, só com o alento que te bafejou da cavalaria andante, sem mais nem mais te vês governador de uma ilha. Tudo isto digo, Sancho, para que não atribuas aos teus merecimentos a mercê recebida, e para que dês graças ao céu, que suavemente dispõe as coisas, e em seguida darás graças também à grandeza que em si encerra a profissão da cavalaria andante. (Martin Claret, vol 2, p. 345).

 

CANDIDATOS “FICHA SUJA”, PRISÕES DE PRINCIPAIS, ...

Faz alguns dias vi amigo preocupado. Blitz numa das ruas da cidade e a moto de amigo do amigo fora apreendida. Problema na documentação. Vencida. Horas depois. Esse amigo estava radiante. Após ligação via celular com amigo policial (não era chefe), sabia que no dia seguinte não haveria multa e a moto seria recuperada. Diante da facilidade com que resolveu o problema, pensei com meu eu imaginário. E eu já paguei algumas multas. Essa introdução é para realçar outra questão: que relação haveria entre “candidatos sujos” desejosos de disputar as eleições, prisões e solturas do ex-prefeito Celso Pitta, do investidor Naji Nahas e do banqueiro Daniel Dantas? É provável que estejamos frente a um mal sistêmico, difícil de superar. Os desdobramentos desse episódio parecem reveladores.

 

Nota a posteriori

Hoje, 16 de julho, a Associação Comercial e Empresarial de Itabuna - ACI, está em festa. Será na Associação Atlética Banco do Brasil-AABB. Uma homenagem aos 100 anos da Associação. Itabuna emancipou-se dois anos depois de sua criação. Não é preciso dizer do papel que teve nesse processo. Em 100 anos, gerações de empresários se sucederam. Parabéns aos que a construíram e aos que dão continuidade a esse projeto. O centenário testemunha relevância e contribuição.  

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 16h00
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Política e Pesquisa 154

 

BAHIA DE TODAS AS LETRAS, 3ª edição

 

A terceira edição do concurso literário Bahia de Todas as Letras teve 108 inscritos, sendo 69 na categoria poesia, 35 na categoria conto e quadro na categoria teatro. Não houve nenhuma inscrição na categoria ensaio literário.

Por gênero, inscreveram-se 41 do sexo feminino e 67, masculino.

Por cidade de nascimento, 28 inscritos nasceram em Itabuna, 17 em Feira de Santana e 14 em Salvador. Nove nasceram em outros estados.

Por cidade de residência, 28 residem em Itabuna, 21 em Salvador, 20 em Feira de Santana e 16 em Ilhéus. A comparação entre cidade de nascimento e de residência espelha o resultado do processo migratório, também entre os que escrevem. Os trabalhos estão com os avaliadores.

 

Cabôco Alencar

Cabôco Alencar, livro de Adylson Machado, sobre o Cabôco Alencar Pereira e o tradicionalíssimo ABC da Noite foi sucesso de vendas no lançamento no ambiente do próprio ABC da Noite. O espírito do Cabôco imortalizado pelo romancista e professor Adylson Machado num belo livro de bolso.

 

Pré-temporada e temporada eleitoral

Com o fim das convenções e a definição dos candidatos, começa a temporada eleitoral propriamente dita. A partir de agora, as pesquisas começarão a definir mais claramente as tendências.

Cada disputa eleitoral é sempre singular, única. Não há repetição. Contudo, se se tiver presente a história de cada município, é possível se ter alguma luz. Ainda que o passado não necessariamente reproduza o futuro, parece digno de atenção. Por exemplo, alguns municípios se caracterizam como palcos de disputas acirradas, em que o eleitorado tende a se dividir em duas metades equivalentes. Nesses municípios, em que se inclui aqui no Sul da Bahia Itabuna, Ipiaú e Jussari entre outros, saber quem vencerá somente após contar os votos. Em outros municípios, como em Ilhéus, por exemplo, com alguns meses de antecedência, o quadro parece definido e as urnas parecem cumprir o que as pesquisas já captavam, já que o vencedor consegue expressiva margem sobre seus oponentes. Enfim, se o passado não tem poder de assegurar o futuro, mesmo assim, merece ser considerado, pelo menos lança alguma luz. Esperar e conferir.

 

Pesquisa falsa

Uma pesquisa falsa, atribuída a Sócio Estatística apareceu em Brumado. Foi a primeira desta temporada.  

 

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 23h33
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Política e Pesquisa 153

 

Onde há fumaça, há necessariamente fogo? 

Um dado preocupante, da perspectiva da empresa de pesquisa, é que nos últimos dois meses recebemos várias ligações de pessoas, algumas conhecidas. O conteúdo recebido desses telefonemas é basicamente o seguinte: entrevistadores se apresentando como sendo da Sócio Estatística, utilizando crachá da empresa. Na época informada, contudo, não havia nenhuma pesquisa da Sócio nessas cidades. As cidades em que recebemos esses telefonemas foram as seguintes: Encruzilhada, Riacho de Santana, Aiquara, Santa Luzia e, por último, Buerarema, nesse último sábado. Nessa última cidade, quem nos ligou, informado da existência dessa pesquisa, foi à rua e se fez entrevistar. No crachá com logomarca da empresa, não havia nome do entrevistador e nenhum dado de identificação mais. O que podemos dizer, por ora, é que em nosso crachá, além da logomarca, há dados da empresa, como endereço, telefone e email, mais foto e nome do entrevistador e a própria página na Internet. Confirmada a existência dessa clonagem, há prejuízos à imagem da empresa junto aos eleitores, construída ao longo de quase duas décadas. O eleitor também está exposto, uma vez que o que informar poderá ser utilizado de forma indevida, até contra ele. É um direito sagrado do eleitor entrevistado ter assegurado o sigilo de sua informação e que essa não tenha nenhum uso individualizado, muito menos em seu prejuízo.

 

Jussara versus Iruman 

Nas últimas semanas, Iruman Contreiras, advogado, radialista e ex-secretário da segunda administração de Geraldo Simões, decidiu disputar a indicação do Partido dos Trabalhadores em Itabuna. Colocou carro de som e faixas nas principais vias da cidade. Como resultado, legitimou Jussara, que venceu com larga margem, com quase 90% dos votos dos filiados que compareceram à prévia. 

 

Roberto Barbosa

Outdoor festejando o aniversário da empresa Minas Aço, do empresário Roberto Barbosa. Com a palavra CONFIANÇA em letras maiores. Novo na arte da política, Roberto está aprendendo rapidamente a necessidade de visibilidade. Como outros, em busca da confiança do eleitor, segue em sua peregrinação, pelas estações de rádio, pelos bairros, de reunião em reunião. Na política, aprende-se rápido muitas coisas e aguça-se a sensibilidade. O problema é que o que se constrói numa reunião ou numa entrevista um outro pretendendo ao cobiçado cargo, pode desconstruir. Vence quem consegue passar mais confiança, mais segurança. E, aqui, alguns nascem com o dom de empatizar e, porque não dizer, de enfeitiçar o eleitor.

 

 



Escrito por Agenor Gasparetto às 19h03
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POLÍTICA E PESQUISA 152
 

Registro de pesquisa eleitoral em Itapé

No dia 13 de abril de 2008 a Sócio Estatística realizou pesquisa em Itapé e que acabou de ser liberada pela Justiça Eleitoral publicação (Comarca de Itabuna, 27ª Zona  Eleitoral).

A amostra do tipo probabilística estratificada por idade, sexo e regiões da cidade. Corresponde a um erro amostral em torno de 6%.   Ao todo, foram consideradas válidas as respostas de 308 cidadãos.

Em Itapé, o governo Lula tem avaliação tendendo ao positivo. 76,3% de avaliação positiva contra 2,2% de negativa.  O governo de Jacques Wagner tem avaliação como tendendo levemente ao positivo: 36,4% de avaliação positiva contra 21,5% de negativa. A administração municipal é avaliada como tendendo ao positivo: 78,3% de avaliação positiva contra 8,7% de negativa. Lembrando que o conceito regular, em momentos de decisão, tende a assumir valor negativo.

Quadro eleitoral: principais resultados   

Na pesquisa espontânea, Pedrão teria 58,4%, Dr. Humberto teria 8,8%, Prof. Roque 0,3%. Os que não sabem somam 32,5%.

Na pesquisa estimulada, Pedrão teria 65,6%, Dr. Humberto teria 16,2%. Prof. Roque 1,6%. Naéliton 0,6%. Nulos 0,3%. Os que não sabem somam 15,6%.

Na pesquisa de rejeição, Pedrão teria 12,6%, Dr. Humberto teria 33,4%, prof. Roque teria 25,8% e Naéliton 31,5%.

Esse era o retrato do quando eleitoral em 13 de abril de 2008. Com o passar do tempo, o quadro pode sofrer alteraçõe